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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Centro de emprego (parte 2)

Ora hoje, tal como há 4 meses, lá fui eu contente e feliz para mais uma jornada de tédio, esperas, filas, e a chatice de ouvir tudo outra vez... que os nossos deveres como desempregados são estes e aqueles, e que temos de estar disponíveis para trabalhar e que, e que, e que.
Eram 5h30 quando lá cheguei, 9 pessoas já se encontravam na fila. Eu era a décima. Uma pessoa que estava à minha frente vinha com uma manta, e eu nem queria acreditar e pensei cá para mim(Por favor...), meia hora depois, não foram poucas as vezes que pensei pedir àquele casal que me deixasse meter debaixo da manta. Acho que nunca na minha vida tinha tido tanto frio, eu tremia, não sentia os pés e comecei a sentir-me mal, ao fim de uma hora, não aguentava mais e fui beber um chá. Não conseguia parar de tremer. Fui e vim a correr para a fila, tinha de fazer alguma coisa para aquecer. O que me valeu e me distraiu do frio foi travar conversa com mais 3 pessoas. Um gruísta São Tomense, um condutor de pesados angolano e um montador de vidros de automóveis português. O angolano era divertido e foi o que nos valeu. Contava histórias do arco da velha, o percurso dele desde angola, a passar também por São Tomé, e a fome e o frio que passou ao chegar a Portugal quando lhe prometeram o paraíso. Trazia dinheiro São Tomense no bolso, explicando-nos o que valia cada nota daquelas de muitas mil dobras, nada, quase nada.
O tempo passou de uma forma muito lenta e quando chegaram as 9h mandaram-nos entrar num grupo de 18. Eram 10h quando saí de lá. 
Agora resta a esperança de voltar a encontrar qualquer coisa pelo menos até Junho. Depois logo se vê.

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