Tenho andado nervosa. Não sei lidar com a pressão. Hoje passei o dia todo a tremer e pensava que me ia dar o badagaio a qualquer momento. Em vez disso tive uma grávida desmaiada nos meus braços e só pensava para comigo fixe, quase nem posso comigo e tenho de estar a segurar uma mulher mais pesadona que eu. Várias pessoas dentro da sala, e alguns homens, (e eu porque era a professora devia estar com cara de autoridade ou algo de género porque) ninguém levantou o rabo da cadeira para ajudar a senhora. Eu dei-lhe água à boca, pus-lhe açúcar debaixo da língua, segurei-a nos meus braços e juro que se a mulher demorasse mais uns segundos a abrir os olhos eu deixava-a cair, porque se me estava a escapar dos braços.
Eu tenho andado nervosa. E não consigo controlar-me. Tremo, choro, sinto-me desesperada e extremamente esgotada. Tenho ajuda em casa. Apoio emocional, atenção, e uma mãe querida que me vai passando alguma roupa a ferro às 2ªs feiras, quando me fica com o Gustavinho em casa.
Eu tenho muita sorte na vida. Eu tenho muita coisa boa na minha vida e muita gente querida no meu caminho e dou muito valor a tudo isso. Agradeço muitas vezes o que tenho e peço perdão pelas coisas horríveis que às vezes me passam pela cabeça. Tenho muita dificuldade em aceitar-me, e isso tem sido uma batalha muito grande. E não adianta dizerem-me certas coisas porque o problema que eu tenho não está à vista, está dentro da minha cabeça. E ninguém imagina a luta que eu travo diariamente para modificar as coisas que não funcionam. Basicamente, vivo com um sentimento de frustração, de falha constante. De tentar e não ser capaz, tentar e não conseguir, tentar, fracassar e desistir, frustrada, cada dia que passa com mais certezas acerca da minha incapacidade.
Eu batalho, não fico parada. E sei que preciso da ajuda de um profissional. Mas às vezes tenho estes dias mais difíceis, que aparecem nestas fases mais cansativas.
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