Eram 4h30m da manhã quando o despartador tocou. Levantei-me a muito custo e às 5h05m estava à porta do centro de emprego de Sintra. Era então a sétima pessoa. Uma grande parte das pessoas que ali estavam eram professores como eu, alguns com muito mais tempo de serviço e também eles desempregados.
Tivesse eu a declaração da cessação do contrato, da entidade empregadora, e teria ficado despachada ainda antes das 10h. Mas tendo de esperar pelo documento, que o meu maridinho fez o especial favor de ir buscar fui trocando a minha senha por senhas maiores (surreal).
À segunda e última vez que troquei a senha, saí à rua para buscar o dito papel e mal pus o pé dentro da sala fui chamada.
À minha espera, no 3º andar estava um senhor de alguma idade, muito calmo, muito tranquilo e com uma boa disposição contagiante. Educado, atencioso, cuidadoso na escolha das palavras, foi-me mostrando o ecran e explicando um sistema lento, que bloqueava com alguma frequência e que em nada dependiam dele as demoras do dia.
Não sei porque razão, mas aquela pessoa estava à minha espera. Não foram poucas as vezes que reforçou a incrível força que eu tinha e que por favor lhe deixasse naquela sala parte da minha energia positiva, que eu estava carregada de sorte e boas energias. Que a minha fé era muito grande. E que por essa razão o processo de inscrição tinha sido bem mais rápido que o das pessoas que ali tinham estado antes de mim. Eu ria-me. Bem-disposta. Foi isso que ele conseguiu com toda a sua descontração e leveza. Balelas que provavelmente diz a toda a gente. Quem é que vai a um centro de emprego com alegria, de bom ânimo? Quem é que não aparece por ali de ombros caídos, sem grandes esperanças e de poucos sorrisos? Mas aquela pessoa consegue dar algum alento a quem por ali passa com a esperança desfeita. Eu saí dali leve. alegre. Em pontas de pés. Com a certeza de que daqui por diante as coisas só podem melhorar. Com a sorte e a fé que tem vai arranjar emprego muito brevemente. E eu acreditei.
E aquela vontade de confrontar, de perguntar porquê que me iria unicamente trazer angustia, deu lugar a um sentimento de aceitação e tranquilidade.
(Obrigada)
2 comentários:
Bolas Sofia, só agora me lembrei de ti e vim cá cuscar se tinhas sido colocada. Que boa merda!! Esperança minha linda, essa ainda a podemos manter.
Um beijo grande meu
Estamos no mesmo barco, Sofia. (Mas pelo menos tens direito a subsídio para já, não tens? Eu não e por isso a urgência sufoca-me um bocadinho. Preciso parar, respirar fundo e lembrar-me que ficar preocupada e ansiosa não vai arranjar-me emprego mais depressa!)
Beijinhos, que tudo se resolva e mantenhas essa calma. Um dia de cada vez e aproveita os teus filhos! **
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