Ontem foi o primeiro dia de aulas.
Conheci os quatro meninos que entraram no grupo. Adorei conhecê-los, mas há um, que me vai dar muito trabalhinho. Dois deles são muito simpáticos, saudáveis, alegres, e integraram-se minutos depois de terem entrado na sala de aula, como se pertencessem lá desde sempre. Um outro chegou atrasado, vem da Casa Pia, costuma ter dificuldade de relacionamento com os adultos e não queria ir à escola. Assim que batemos com os olhos um no outro houve empatia. Entrou, sentou-se, onde inicialmente nem queria, e a meio do dia estava a pedir-me para se juntar a um menino que estava sentado na outra ponta da sala. O mesmo que eu tive a certeza ser a primeira pessoa a quem se juntaria, há coisas das quais nunca nos enganamos. Durante todo o dia rondou a minha mesa com perguntas desnecessárias, procurava um contacto, uma aproximação e quis ficar ao pé de mim a recortar um trabalho. Depois do intervalo e após ter feito a típica conversa da integração dos novos alunos, perguntei-lhes com quem tinham brincado, todos tinham estado com meninos da turma à escepção do 4º elemento. Que se isolou desde o início. Sentou-se na cadeira mais afastada de todas, respondeu a todas as minhas perguntas com um sim ou não e com cara de poucos amigos. Vai dar mais trabalho, mais vai lá. São estes miúdos que dão luta.
Vim feliz do primeiro dia.
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