Venho da minha querida médica de família. Estou a antibiótico para combater a tão comum infecção urinária nas grávidas. Perguntou o porquê de não ter comparecido na consulta de psicologia. Confundi os dias (shame on me). Falei-lhe do Marco e desta fase que está a passar.
Hoje de manhã ao ver fotos da altura dos tratamentos, reparei como o Rodrigo ainda era pequeno e não me consigo lembrar de cor em que altura ocorreram as coisas. Lembro-me da minha apreensão, e do meu pressentimento de algo não estar bem com a ausência de notícias por parte dele após sair da consulta.
Lembro-me de começar a chorar descontroladamente quando soube que ele tinha um tumor (foi a única vez). Se a memória não me atraiçoa foi operado em Outubro para retirar a massa tumoral e em Dezembro começou a quimio. Acompanhei-o em quase todas as sessões. Os tratamentos duraram até Maio. Pensavamos que o linfoma se resumiria a isso. Operação, quimioterapia e voilá, homem novo. Mas não. O processo foi longo e custoso. Desde então anda frágil, sempre cansado, vulnerável e com uma tosse violenta, cheia de espectoração, que não o larga. Consultas de rotina de 3 em 3 meses, exames ao sangue e TACs. Consultas na oncologia pelos próximos 10 anos e sempre a mesma angustia antes de receber o resutado dos exames.
Estou cansada. E ontem chorei tudo o que já não chorava desde o dia do diagnóstico. Ao pensar no que se passa naquele pulmão fico com uma sensação de derrota, fraqueza, um baixar de braços e pensar que não tenho força para mais nada.
Estou no meu limite. Preciso descansar dos problemas. Talvez esta vontade incontrolável de chorar até me faça bem, estranhos foram todos estes meses em que não verti uma lágrima.
Tenho na minha médica uma pessoa que me ouve devagar, sem pressas e que sempre me apresenta alternativas aos becos sem saída que vou encontrando por aí. E disso nunca me hei-de esquecer.
4 comentários:
... nao baixes os bracos... porque ele ja os baixou, naturalmente. Nesta altura nao podes mesmo baixar os bracos; mas sim, podes e deves chorar tudo que te apeteca, nao te tires o direito de sentir...
Hoje,num intervalo do dia, li o teu post abaixo "da saúde dele" e fiquei com um nó na garganta. Pensei em ti várias vezes e no quão difícil deve estar a ser toda esta situação. Gostava de te dizer algo que te animasse, mas duvido que seja eficaz. Acho que, contrariamente ao que julgas, és uma mulher cheia de força. Chorar faz bem Sofia. alivia bastante. Espero que esta fase passe depressa e se precisares não hesites em usar o meu email.
Um beijo grande
Já não vinha ao teu blog há semanas e hoje senti uma vontade forte de te ligar nunca pensando que tivesses numa fase tão complicada.
Queria tanto poder dar-te a força e pensamento positivo que precisas mas neste momento só me ocorre que devias ver nem que seja no privado opinião de outro médico... estar meses à espera de um diagnóstico não me parece correcto nem justo.
Voçês merecem tanto serem felizes e ter a serenidade para apreciar esta fase mágica da chegada de um bebé que não parece nada mesmo justo estarem nesta angústia. Não entendo que raio de sistema de saúde nós temos em que o Marco depois de passar o que passou não tenha prioridade e rapidez no diagnóstico e realização de exames ... não é simplesmente aceitável!
Conta comigo para o que precisares.
Beijos grandes para voçês,
Ana
Obrigada
Vai correr tudo bem sim, que eu nestas coisas tenho sempre pensamento positivo. às vezes só preciso mesmo é de deitar cá para fora.
Enviar um comentário