Não sei se deveria assumir isto aqui, mas a verdade é que quando penso numa próxima gravidez penso obcecadamente nos testes que tenho de fazer para despistar uma má formção que o bebé possa vir a ter. Depois penso no que faria se o resultado desse positivo em relação, por exemplo, a um síndrome de Down e o meu pensamento é sempre o mesmo, queria abortar. Mas não deixo de ter este pensamento com uma certa culpa. Nem sei porquê porque eu não sou contra o aborto. Penso que nunca o faria de livre vontade a não ser num caso de má formação genética, mas não condeno quem o decida fazer noutras situações. A verdade é que este pensamento me tem perturbado muito, será que eu teria coragem para abortar? Depois de às 12 semanas ter visto o Rodrigo todo formadinho, a mexer as mãos e os bracinhos... Por outro lado não me imagino a lidar com o atraso mental de um filho, conhecendo-me como me conheço sei que não teria arcaboiço para aguentar uma situação que se iria prolongar pelo resto da vida. Da minha capacidade de o amar não tenho a menor dúvida, mas sei que não saberia lidar com a situação.
Isto tudo para dizer que esta semana a minha mãe chegou muito contente a minha casa. Uma bebé sua conhecida havia nascido e era perfeitinha. Ela vinha radiante com a notícia. Passo a explicar porquê. Durante a gravidez os dois exames que foram feitos confirmavam que a bebé tinha Síndrome de Down, ela decidiu abortar. Na noite anterior ao aborto a avó da bebé sonhou que ela era perfeitinha e pediu por tudo para a filha não abortar. Perturbada com a convicção da mãe levou a gravidez até ao fim mesmo continuando a ter os resultados positivos que confirmavam a doença.
E não é que a bebé nasceu perfeitinha tal como a avó a sonhou???
Isto tudo para dizer que esta semana a minha mãe chegou muito contente a minha casa. Uma bebé sua conhecida havia nascido e era perfeitinha. Ela vinha radiante com a notícia. Passo a explicar porquê. Durante a gravidez os dois exames que foram feitos confirmavam que a bebé tinha Síndrome de Down, ela decidiu abortar. Na noite anterior ao aborto a avó da bebé sonhou que ela era perfeitinha e pediu por tudo para a filha não abortar. Perturbada com a convicção da mãe levou a gravidez até ao fim mesmo continuando a ter os resultados positivos que confirmavam a doença.
E não é que a bebé nasceu perfeitinha tal como a avó a sonhou???
8 comentários:
Que história mais engrançada Sofia, relamente há coisas estranhas.
Passei por essa situação, ou seja, tendo eu na altura em que engravidei 35 anos (custou-me escrever a minha idade, lol), impunha-se fazer a aminocentese. Quando chegou a altura, decidi não a fazer uma vez que se desse alguma coisa, eu sabia que iria ter muita dificldade em decidir. Assim fiz só os exames de probabilidades e segui em frente. Felizmente correu tudo bem.
Beijos
Pois, Sofia, e realmente um cenario muito complicado. As pessoas dizem, ah so por ser assim, ou assado nao se devia abortar. Eu acho que saber que se vai ter um filho deficiente (com elevado grau) e levar a gravidez em frente e um egoismo. Porque esse ser humano vai ter uma vida muito limitada em todos os aspectos. Depende de muita coisa. Mas acho que nao devias pensar nessas coisas. A historia da menina a mae ja me a tinha contado e tambem achei maravilhosa, mas muito arriscada.
:) que final tão doce!
mas não te atormentes com coisas que não fazem parte da tua vida. já basta os problemas reais que tens.
Era tão bom que as histórias tivessem um final assim tão maravilhoso, mas infelizmente essa terá sido uma excepção e como já disseram foi uma atitude muito arriscada.
Eu concordo contigo quanto ao aborto, por mim, mas sobretudo pela criança acho que abortaria se a soubesse portadora de uma má formação grave.
Quanto a crianças saudáveis, não o faria (o que eu mais quero neste momento é um filho), mas não julgo nem condeno. Cada mulher saberá o que é melhor para si.
Beijinhos.
Esse assunto é TÂO delicado e complicado!!
Nesta gravidez do Repolhinho, apesar dos meus 36 anos, decidi não fazer a amniocentese...o exame da prega da nuca apontava para uma criança normal (com toda a relatividade implícita), e nessa altura eu tinha decidido que mesmo que o meu filho fosse portador do Síndrome de Down eu não seria capaz de abortar pois já o amava demais...por isso segui em frente!
Felizmente correu tudo bem, mas foi um risco.
Mas entendo perfeitamente o teu receio...eu própria já coloquei essa questão a mim própria...se voltasse a engravidar o que faria?
Voltar a engravidar??? Tás parva ou quê Eduarda???!!!
;))
Pois Eduarda, eu digo sempre que se detectasse algum problema grave que queria abortar, mas quando penso na primeira vez que vi o Rodrigo com apenas 12 semanas, supostamente tão pequenino, no limiar entre embrião e feto e já ~todo formadinho... é inexplicável o que senti ao vê-lo e é como tu dizes será que depois de o ver e da ligação que eu já sentia aquela gravidez, que conseguiria tirá-lo de dentro de mim e interromper a sua vida... é realmente um assunto muito complicado. E nem quero pensar nisso sequer. Pensar em coisas positivas!!!
estas férias conheci um caso igual, de uma bebé linda com ano e meio cuja gravidez e testes confirmavam a trissomia 21.
em relação a ter de decidir, creioq ue não deva ser fácil, mas por outro lado acho que os desafios só se colocam a quem está à altura de os enfrentar.
lembra-te sempre (é o que faço comigo) que nunca sabemos o que acontecerá no futuro aos nossos filhos, que vida eles terão, se haverá sempre saúde. e se esses desafios se colocarem? não teremos de estar lá?
Ui! Até me arrepiei com essa história! Passei um mau bocado na gravidez do Ricardo, pois o rastreio bioquimico deu positivo para um defeito do tubo neural. Ou seja a probabilidade de ele nascer com um defeito na coluna era elevada. Andei duas semanas em desespero, pois só ao fim desse tempo se poderia ver alguma coisa na ecografia. Felizmente estava tudo bem. Mas fiquei com o mesmo dilema, ter de abortar, às 18 semanas, quando já o sentia mexer... foi horrivel encarar essa hipotese! O meu marido e a medica a pressionarem-me, que tinha de ser... e eu, sinceramente, acho que não tinha conseguido fazê-lo. Já amava o meu filho tanto, tanto, já lhe tinha dado uma identidade na minha cabeça, que não concebia a ideia de lhe tirar a vida. Não condeno quem o faz, seja por uma deficiência ou por opção própria, é uma decisão pessoal e pronto. Beijos
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