Comecei o dia a distribuir folhas aos meninos e ouvi de passagem:
"Professora, o meu pai amanhã vai embora".
"Professora, o meu pai amanhã vai embora".
Parei, olhei para trás e vi que a dita criança continuava de costas para mim e de cabeça baixa a escrever.
Voltei mais atrás ainda e recebi um olhar duro, muito arregalado e muito húmido .
Eu a explicar que a vida é assim mesmo, e que na nossa sala de aula até temos vários exemplos de pais que estão a trabalhar fora do país e que eu própria tenho a minha irmã longe.
Fixoeime no horizonte, ao mesmo tempo que continuava a discursar no sentido de ser o melhor para todos.
Olhei para dentro de mim e pensei que não consigo encontrar um lado positivo nos quilómetros e quilómetros que me separam da minha irmã e da minha única sobrinha, da qual já perdi um ano de mimos e gracinhas.
Voltei a olhar para ela em jeito de "entendes?" e recebi um olhar maior, mais duro e mais profundo ainda, cheio de pontos de interrogação em jeito de "não, não entendo" .
(Queria dizer que também não entendo porquê...)
2 comentários:
:(
A vida às vezes é muito madrasta para nós, infelizmente nem tudo é como nós queremos...
Ha coisas, Sofia, que nao da para entender, para explicar. Mas sim, a vida tem destas coisas.
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